A Filosofia como um produto?

 


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Em tempos onde tudo é precificado, quantificado e visibilizado, caixas de produtos são fabricados para à venda ao consumidor. Essas caixas podem ser de objetos mais concreto, um computador, até o mais abstrato, tutorias pelo caminho da autoajuda.

Nesse caminho da profissionalização de palestrantes, intitulados como “coach”, evidencia-se a necessidade do eu pelo um outro, “guru”. Tal visão escancara a dependência que as pessoas têm de um mestre. Seja ele o Pastor, o Padre, o Psicólogo ou o Coach. Em contrapartida, a aversão que há por parte da sociedade pelas figuras eclesiásticas, há também pelas figuras de mentoria.

Um dos argumentos mais latentes sobre a figura dos coach é: seriam eles a banalização acadêmica da Filosofia? Ou os mercadores do produto Sabedoria? Se a Filosofia fosse uma religião, seriam os coaches os falsos profetas?

Pré-conceitos como esses podem atropelar a observação de todo um processo de construção entre terapeuta e paciente, denigrir a trajetória de estudos desses profissionais, culpar os consumidores do produto querendo acabar com o mercado, mas em troca oferecer o quê?

A instrumentalização da filosofia para postagens no Instagram tem mais ganhado forma de se fabricar uma imagem e vender, do que, descontruir ídolos e refletir sobre. Todavia, ser um anti-coach não resolve o problema do abandono da sociedade pela filosofia. Quantas vidas estão sendo salvas pelo trecho de música “Tente outra vez” de Raul Seixas, cantor que, segundo a massa religiosa vendeu a alma ao demônio. Quantas pessoas se ergueram pela ajuda dessas mentorias, mentorias na qual temos repúdio?

Pensemos.

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