A Filosofia como um produto?
(Tempo de leitura: 3 minutos)
Em tempos onde tudo é precificado, quantificado e
visibilizado, caixas de produtos são fabricados para à venda ao consumidor.
Essas caixas podem ser de objetos mais concreto, um computador, até o mais
abstrato, tutorias pelo caminho da autoajuda.
Nesse caminho da profissionalização de palestrantes,
intitulados como “coach”, evidencia-se a necessidade do eu pelo um outro,
“guru”. Tal visão escancara a dependência que as pessoas têm de um mestre. Seja
ele o Pastor, o Padre, o Psicólogo ou o Coach. Em contrapartida, a aversão que
há por parte da sociedade pelas figuras eclesiásticas, há também pelas figuras
de mentoria.
Um dos argumentos mais latentes sobre a figura dos coach é:
seriam eles a banalização acadêmica da Filosofia? Ou os mercadores do produto
Sabedoria? Se a Filosofia fosse uma religião, seriam os coaches os falsos
profetas?
Pré-conceitos como esses podem atropelar a observação de
todo um processo de construção entre terapeuta e paciente, denigrir a
trajetória de estudos desses profissionais, culpar os consumidores do produto
querendo acabar com o mercado, mas em troca oferecer o quê?
A instrumentalização da filosofia para postagens no
Instagram tem mais ganhado forma de se fabricar uma imagem e vender, do que,
descontruir ídolos e refletir sobre. Todavia, ser um anti-coach não resolve o
problema do abandono da sociedade pela filosofia. Quantas vidas estão sendo salvas
pelo trecho de música “Tente outra vez” de Raul Seixas, cantor que, segundo a
massa religiosa vendeu a alma ao demônio. Quantas pessoas se ergueram pela
ajuda dessas mentorias, mentorias na qual temos repúdio?
Pensemos.
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