Mensagens perigosas
Quando eu era uma criança de cinco ou seis anos, eu gostava de pegar folhas de caderno e, ainda que, não soubesse escrever, eu pegava a caneta e ondulava algo entre as linhas. Em seguida, arrancando-a do caderno passava a minha língua e as envelopava.
Quero ser carteiro! Era um caminho promissor. Eu ia à casa de dois, três vizinhos e lá, literalmente, jogava a carta. Eu seria um entregador de carta promissor, se não fosse, algumas situações traumáticas.
Ouvir os vizinhos praguejando: “quero saber quem é o infeliz que está sujando o meu quintal.” Ver a minha mãe desesperada: “olha o valor dessa conta de luz!”, meu pai estressado: “De novo a fatura do cartão está alta!?”
Quando vi essas cartas, desisti de ser o carteiro. Aí me chegou ao conhecimento de que existem cartas boas, algumas eu escrevi e recebi no primário. No ensino médio, a gente entregava a carta para o remetente, mas não de forma escrita, tinha de chamar a pessoa de canto e entregar o “xaveco”.
Aí veio a religião e me entregou algumas cartas escritas por tal Paulo, um Pedro e um João. Achei bonito, pacifico... Achei “Zen”. Mas me iludi com a suavidade da carta e quando eu caí em si, vi que era outra bomba-relógio, lá dizia que o “maior império” iria ser destruído, que a escravidão precisava acabar, que a tradição religiosa precisava ser rompida. Senti angustia também nessas cartas, como uma fatura de cartão de crédito que não quero pagar.
Agora entendi as palavras de Jesus que disse: “não venho trazer paz ao mundo, mas espada!” Por que carteiro, meu amigo... É perigoso demais!

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